Mostrar mensagens com a etiqueta [FISKE]. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta [FISKE]. Mostrar todas as mensagens

sábado, 18 de novembro de 2006

[ tctp # 0005 ] ESCOLAS PROCESSUAL E SEMIÓTICA, AS DIVERGÊNCIAS



  • A escola processual aproxima-se das ciências sociais, da psicologia e sociologia em particular. O seu estudo incide sobre os actos de comunicação.


  • A escola semiótica aproxima-se da linguística e das disciplinas de arte. O seu estudo tende a debruçar-se sobre os trabalhos de comunicação.


  • Quanto à interpretação da nossa definição de comunicação como interacção social através de mensagens, a escola processual define essa interacção social como o processo pelo qual uma pessoa se relaciona com outra ou afecta o comportamento, estado de espírito ou reacção emocional de outra e, é claro, vice-versa.


  • A semiótica, por seu lado, define interacção social como aquilo que constitui o membro de uma cultura ou sociedade determinadas.


  • Relativamente à forma como entendem o que constitui uma mensagem, esta é também fonte de divergência. Para a escola processual, a mensagem é o que é transmitido pelo processo de comunicação. Muitos dos seus seguidores consideram que a intenção é um factor crucial para decidir sobre o que constitui uma mensagem. A intenção do emissor pode ser explícita ou implícita, consciente ou inconsciente, mas tem que ser recuperável através de análise. A mensagem é o que o emissor nela coloca, independentemente dos meios utilizados.


  • Para a semiótica a mensagem é uma construção de signos que, pela interacção com os receptores, produzem significados. O emissor definido como transmissor da mensagem perde importância, a ênfase vira-se para o texto e a forma como este é "lido". Ler é o processo de descobrir significados que ocorre quando o leitor interage ou negoceia com o texto e tem lugar quando este traz aspectos da sua experiência cultural e os relaciona com os códigos e os signos que formam o texto. Envolve também um entendimento comum acerca do que o texto trata. Assim, leitores com experiências sociais diferentes ou de diferentes culturas poderão encontrar significados diferentes no mesmo texto. A mensagem não é algo enviado de A para B, mas sim um elemento numa relação estruturada cujos outros elementos incluem a realidade exterior e o produtor/leitor. A produção e leitura são vistas como processos paralelos, se não idênticos, por ocuparem o mesmo lugar nesta relação estruturada. Esta estrutura não é estática, mas sim uma prática dinâmica, podendo ser representada por um triângulo no qual as setas representam uma interacção constante.

[ tctp # 0004 ] AS PRINCIPAIS ESCOLAS NO ESTUDO DA COMUNICAÇÃO

Existem duas escolas principais no estudo da comunicação. A primeira vê a comunicação como transmissão de mensagens e estuda o modo como os emissores e os receptores codificam e descodificam. Estuda o modo como os transmissores usam os canais e os meios de comunicação. Considera a comunicação um processo pelo qual uma pessoa afecta o comportamento ou o estado de espírito de outra.

Nesta escola, a existência de efeitos inferiores ou diferentes dos desejados tende a ser considerada em termos de fracasso de comunicação, analisando os estádios do processo com o objectivo de determinar onde ocorreu essa falha.

A esta escola chama-se processual.

A segunda escola vê a comunicação como uma produção e troca de significados. Estuda a forma como as mensagens, ou textos, interagem com as pessoas de modo a produzir significados. Usa termos como significação e os mal-entendidos não são considerados necessariamente fracasso de comunicação. Esta escola considera que estes podem advir de diferenças culturais entre o emissor e o receptor. O seu principal método de estudo é a semiótica [ciência dos signos e dos significados], que é também o nome desta escola.

[ tctp # 0003 ] COMUNICAÇÃO - UMA INTRODUÇÃO

[ a partir de John Fiske, Introdução ao Estudo da Comunicação ]

Toda a comunicação envolve signos e códigos. Os signos são artefactos ou actos que se referem a algo que não a eles próprios. Os códigos são os sistemas nos quais os signos se organizam e determinam a forma como os signos se podem relacionar uns com os outros.


Estes signos e códigos são transmitidos ou tornados acessíveis a outros e transmitir ou receber signos/códigos/comunicação é a prática das relações sociais.


A comunicação é central para a vida da nossa cultura. O estudo da comunicação implica o estudo da cultura na qual ela se integra.


Poderá dizer-se que a definição geral de comunicação é: "Interacção social através de mensagens".