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quarta-feira, 22 de novembro de 2006

[ ci # 0003 ] CANAIS DE COMUNICAÇÃO FORMAL DESCENDENTE

São os canais de comunicação mais importantes nas empresas, muito enfatizados pelos gestores. Este é o primeiro tipo de comunicação de que nos lembramos quando falamos de comunicação nas empresas entre gestores e subordinados.


Os canais de comunicação formal descendente mais utilizados são:


  • a cadeia de comando


  • os comunicados e avisos distribuídos ou afixados


  • o "jornal da empresa"


  • as comunicações insertas nas folhas de salário


  • os manuais


  • os "handbooks" ou panfletos


  • o relatório anual


  • os registos de voz e imagem


A cadeia de comando é a linha ao longo da qual flui a autoridade do topo da organização ao indivíduo situado no ultimo escalão hierárquico da empresa. É o canal de comunicação usado mais frequentemente e pode revestir a forma de comunicação oral e escrita, sendo a mais frequente a que se traduz no contacto pessoal face a face. As comunicações escritas são normalmente utilizadas para assuntos de maior relevância para a empresa e/ou para o gestor. O papel dos gestores intermédios é importante neste canal para que os trabalhadores recebam a informação com o mínimo de distorção possível.


A afixação de avisos e comunicados serve grande parte das vezes para os gestores comunicarem aos seus subordinados informações que lhes interessam. Este canal deve ser considerado suplementar, uma vez que muitas das vezes não são lidos ou, porque afixados durante muito tempo, poderão ficar desactualizados.


O jornal da empresa, usado normalmente por empresas de dimensão significativa, destina-se geralmente a transmitir informações sobre novos produtos, política e evolução da empresa, ou assuntos de interesse para os empregados. Algumas informações - actividades recreativas e culturais, prémios ou campeonatos em que houve participação, empregados que completam um certo número de anos de serviço, etc. - são uma excelente oportunidade para se desenvolver o espírito de equipa, a coesão e os valores morais; de forma geral, a cultura da organização.


As comunicações insertas nas folhas de remuneração são um outro canal que, usado em equilíbrio, pode ter interesse, uma vez que todos as lêem.


Os panfletos e "handbooks" são sobretudo usados para dar a conhecer aos novos membros da empresa os aspectos gerais do seu funcionamento e políticas da empresa em termos de recursos humanos. Tendo sempre presente que nem sempre são lidos pelos destinatários são, ainda assim, usados para comunicar a instituição de novos sistemas de avaliação, planos sociais de complemento de reforma, etc.


O relatório anual contém, para além das contas, informação sobre a actividade da empresa ao longo do ano e reflecte a posição dos seus órgãos de gestão. Destina-se sobretudo aos accionistas, embora tenha vindo a interessar crescentemente aos funcionários e restantes stakeholders.


Os registos de voz e imagem transmitem mensagens e simultaneamente "aproximam" os gestores de topo dos empregados, debelando a dispersão geográfica da organização. Outras formas de comunicação têm vindo a desenvolver-se a par da evolução das novas tecnologias de informação: a videoconferência, o videotexto, o teleprocessamento de dados, são exemplos desses canais de comunicação.

[ ci # 0002 ] O QUE DEVE SER COMUNICADO

Segundo inquéritos feitos por Henry Mintzberg e outros, grande parte dos gestores gasta cerca de 80% do seu tempo comunicando com as pessoas, quer internamente, quer externamente. Em relação às pessoas que constituem a empresa, os gestores de nível intermédio geralmente gastam mais tempo a comunicar com os seus subordinados [comunicação vertical descendente], menos com os seus superiores [comunicação vertical ascendente], situando-se o tempo gasto com os outros departamentos [comunicação horizontal] numa zona intermédia.


Os cientistas das áreas de comportamento têm demonstrado que a motivação dos trabalhadores é impossível sem uma comunicação eficaz. Os trabalhadores têm necessidade de conhecer bem quais os objectivos da organização e devem participar na sua definição, saber o que deles se espera. Devem ser ouvidos e entendidos pelos seus supervisores, o que não é conseguido se existirem barreiras significativas à comunicação ne empresa.


A globalização do ambiente externo da empresa e a necessidade de mudança tornam mais evidente a importância de transmissão de informação e conhecimentos, trazendo maior complexidade ao sistema de comunicação e, por vezes, constituindo uma barreira adicional à comunicação eficaz.


No ambiente interno da empresa, os trabalhadores devem receber informações, no mínimo, sobre:


  • Como se espera que as suas tarefas sejam desempenhadas


  • Os salários e, de modo geral, sistemas de retribuição


  • A sua posição na estrutura organizacional da empresa


  • As alterações que possam afectar o futuro da empresa, nomeadamente a sua segurança


  • As políticas, regras e procedimentos da empresa.

[ ci # 0001 ] COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL - O PROCESSO

[a partir de Sebastião Teixeira, "Gestão das Organizações", McGraw-Hill]

Começámos por definir gestão como o processo de obter resultados com o esforço de outros. Ora, para os subordinados saberem exactamente o que deles se pretende, que tipo de tarefas devem desempenhar para melhor serem atingidos os objectivos globais da empresa, devem disso ter um perfeito conhecimento, isto é, deve existir uma comunicação eficaz.


Comunicação é o processo de transferência de informações, ideias, conhecimentos ou sentimentos entre as pessoas. Pode utilizar diversos meios e canais mas é difícil conceber como é que os objectivos de uma organização podem ser atingidos sem comunicação. Não será exagero afirmar que os gestores que obtêm sucesso em grande parte o devem à sua capacidade para comunicar com as pessoas. Está provado que os gestores passam a maior parte do seu tempo comunicando com os subordinados.


A comunicação fornece, pois, os meios através dos quais os membros da organização podem ser induzidos a implementar as acções planeadas, e a fazê-lo motivados e com entusiasmo.


O processo de comunicação implica a existência de três elementos: emissor, receptor e canal de transmissão.


Emissor é a pessoa ou entidade que tem uma ideia ou mensagem para comunicar a outra pessoa ou pessoas. É a fonte de origem da comunicação.


Receptor é a pessoa ou pessoas que recebem a comunicação que lhes é transmitida.


Canal de transmissão é o meio através do qual as comunicações são transmitidas entre as pessoas e pode revestir-s de várias formas, desde a voz humana à rede de televisão, passando pelo fax, correio normal ou informático.


O emissor deve codificar as mensagens de tal modo que estas, sendo perfeitamente transmitidas, serão descodificadas pelo receptor, de modo a atribuír-lhe o mesmo significado. Se à informação recebida o receptor não atribui o mesmo significado que o emissor pretendia, isso significa que houve falhas, ou barreiras. Estas podem resultar de deficiências na codificação [por exemplo, uso de linguagem não apropriada] ou de problemas do próprio receptor que não descodificou convenientemente a mensagem [discurso em sentido figurado não interpretado desse modo].


É de evidenciar a importância do feedback, isto é, o retorno [receptor-emissor] da informação, que permite ao emissor verificar se a comunicação foi ou não perfeitamente recepcionada.


Por exemplo, na comunicação oral, as palavras são transmitidas através de meios tão diferentes como conversação cara a cara, por telefone, rádio, televisão; os livros, artigos e cartas correspondem a canais escritos; os sentidos do tacto, cheiro, gosto, são canais de comunicação não verbais [embora para um cego, quando lê em braille, o tacto seja um canal verbal de comunicação].


No entanto, muitas comunicações de grande importância são realizadas sem que uma palavras seja pronuniciada. É a comunicação não verbal.


sábado, 18 de novembro de 2006

[ tctp # 0008 ] TEORIA JAKOBSONIANA DA FUNÇÃO POÉTICA DA LINGUAGEM - RESUMO

Segundo Jakobson, a comunicação verbal pressupõe necessariamente a interacção de seis "factores inalienáveis", que podem ser assim esquematicamente representados:
CONTEXTO
EMISSOR... MENSAGEM... DESTINATÁRIO
CONTACTO
CÓDIGO
Cada um destes factores origina uma função linguística específica. No entanto, é difícil a apresentação de uma mensagem que realize apenas uma destas funções. Verifica-se em cada mensagem a presença de mais do que uma função, impondo uma delas o seu predomínio sobre as outras, a função predominante. A estrutura verbal de uma mensagem depende primariamente da função que nela é predominante.
Em Jakobson, a distinção das seis funções da linguagem verbal é a seguinte:
  1. Função expressiva ou emotiva - centrada sobre o sujeito emissor. "Uma expressão directa da atitude do sujeito em relação àquilo de que fala. Tende a dar a impressão de uma certa emoção, verdadeira ou fingida. As interjeições representam o estrato da língua puramente emotivo, mas a função emotiva é inerente, em vário grau, a qualquer mensagem, quer se considere o nível fónico, quer o nível gramatical ou lexical. A informação veiculada pela linguagem não pode ser restringida à informação do tipo cognitivo.
  2. Função conativa - denominada apelativa por Bühler, orientada para o destinatário, encontra a sua manifestação mais pura no vocativo e no imperativo. As frases imperativas, ao contrário das declarativas, não podem ser submetidas a uma prova de verdade, nem transformadas em frases interrogativas.
  3. Função referencial - também chamada denotativa ou cognitva, orientada para o referente, para o contexto.
  4. Função fática - é predominante nas mensagens que têm por finalidade "estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação, verificar se o circuito funciona [...], fixar a atenção do interlocutor ou assegurar que esta não frouxa".
  5. Função metalinguística - ocorre "quando o emissor e/ou o receptor julgam necessário averiguar se ambos utilizam na verdade o mesmo código". Quando o discurso está centrado no código, desempenha uma função metalinguística. Esta função representa um instrumento importante nas investigações lógicas, mas o seu papel é também relevante na linguagem quotidiana.
  6. Função poética - centrada sobre a própria mensagem. "A orientação [Einstellung] para a mensagem enquanto tal, o centro de interesse incidindo sobre a mensagem considerada por si mesma, é o que define a função poética da linguagem". Esta função não constitui a função exclusiva do conjunto de textos que Jakbson designa por "arte da linguagem", trata-se apenas da sua função dominante. A função poética pode, contudo, desempenhar um papel secundário, embora muito importante, em mensagens cuja função dominante seja uma das outras funções [publicidade, propaganda política, em que a função dominante é a função conativa].

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

[ tctp # 0001 ] INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA COMUNICAÇÃO - RESUMO

[Paula Ramalho Almeida, ISCAP]



"TOUT MONOLOGUE EST UN DIALOGUE"
[Paul Valéry, in Cahiers II]


...


COMUNICAÇÃO: DEFINIÇÃO

"Processo de troca de ideias, mensagens ou informações, através da fala, de sinais, da escrita ou de comportamento."

[Dicionário de Ciências da Comunicação, Porto Editora]

"Interacção social através de mensagens"

[Introdução ao Estudo da Comunicação, ASA]

"Deus disse: 'Faça-se luz.' E a luz foi feita."

[Bíblia, Génesis 13]

Século XX:

"Reconhecimento de que a linguagem não é apenas um instrumento de comunicação, mas também uma ferramenta para fazer o mundo existir"

[Misisa Landau, Antropóloga]


COMUNICAÇÃO: CONCEITO ETIMOLÓGICO

Do latim communicatio

Raiz munis: "estar encarregado de "
Prefixo co: "reunião"
Terminação tio: "actividade"

Do latim communis

"pôr em comum"
outras palavras com esta origem: Comunidade, Comunhão, Comunicação, Comum, Comunismo

Significado de communicatio


Produto do encontro social
Processo delimitado no tempo
Relação intencional exercida sobre outrém

PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

Partilhamos um mesmo objecto de consciência
Exprime a relação entre consciências
Elementos:

x - Emissor, que envia a mensagem

y - receptor, que interpreta a mensagem

Nota: emissor e receptor não precisam de ocupar o mesmo lugar nem o mesmo tempo.



COMUNICAÇÃO: OUTROS CONCEITOS

Conceito biológico
Conceito pedagógico
Conceito histórico
Conceito sociológico
Conceito antropológico
Conceito dos dicionários:

"Acção de transmitir e receber mensagens, usando os meios e códigos convencionados; acto ou efeito de comunicar."

[Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa]



NATUREZA DA COMUNICAÇÃO
Animal e humana




Signos e códigos

Signos: "Os signos são artefactos ou actos que se referem a algo que não a eles próprios, ou seja, são construções significantes."

Códigos: "Os códigos são os sistemas nos quais os signos se organizam e que determinam a forma como os signos se podem relacionar uns com os outros."

[Introdução ao Estudo da Comunicação, ASA]

Receber e transmitir signos

Prática das relações sociais
Prática inserida numa dada cultura

Criação e manutenção de uma realidade intersubjectiva ou intermundo

Intersubjectividade: conceito filosófico do alemão Edmund Husserl

É assim que o diálogo se transforma numa "troca intersubjectiva" e num "evento que liga dois eventos, o do locutor e do ouvinte."

[Paul Ricoeur, in Teoria de Interpretação: O discurso e o excesso de significação]

TEORIA DA COMUNICAÇÃO

CONJUNTO DE TEORIAS QUE PRETENDEM EXPLICAR OS DIVERSOS ASPECTOS DO FENÓMENO DA COMUNICAÇÃO. A TEORIA MATEMÁTICA DACOMUNICAÇÃO, CHAMADA "TEORIA DA INFORMAÇÃO", SERVIU DE BASE PARA REFLEXÕES POSTERIORES.

[Dicionário das Ciências da Comunicação, Porto Editora]


ESTUDO DA COMUNICAÇÃO

Duas escolas principais ou formas de pensar a comunicação


Escola "processual

Início com o Modelo de Comunicação de Shannon e Weaver [1949], concebido em plena guerra fria.

Semiótica

Semiótica: tradição enraizada em Charles Sanders Peirce

Semiologia: remonta aos trabalhos de Ferdinand de Saussure [nota: dif. de semeiologia]

Actualmente são encaradas como uma só disciplina.

ESCOLA PROCESSUAL: COMUNICAÇÃO COMO TRANSMISSÃO DE MENSAGENS

Interacção social: processo pelo qual uma pessoa afecta o comportamento/estado de espírito de outra.

Modo como emissores e receptores codificam e descodificam

Modo como transmissores utilizam canais e meios de comunicação

Eficácia, exactidão de actos de comunicação

Aproximação das ciências sociais [psicologia e sociologia]


MENSAGEM

O que é transmitido pelo processo de comunicação

É o que nela coloca o emissor

Intenção implícita, consciente ou inconsciente

Recuperável intenção do emissor através da análise


ESCOLA DA SEMIÓTICA: COMUNICAÇÃO COMO PRODUÇÃO E TROCA DE SIGNIFICADOS

Semiótica: ciência dos signos e dos significados / teoria geral dos signos

Interacção social: aquilo que constitui o indivíduo como membro de determinada cultura ou sociedade

Modo como mensagens - textos - interagem com pessoas para produzir significados

Papel dos textos em dada cultura

Significação nos trabalhos da comunicação

Aproximação da linguística e das disciplinas de arte


MENSAGEM

Transmissão de signos que, pela interacção com os receptores, produzem significados

Emissor perde importância

Ênfase no texto e na forma como é lido

Leitor interage ou negoceia com o texto

Por vezes

leitores diferentes = leituras diferentes


Escola Processual:




A ===» mensagem ===» B





Semiótica:

A PRAGMÁTICA

Estuda aspectos do significado e da linguagem dependentes de locutor e alocutário-interlocutores / co-enunciadores, tendo em conta

Contexto do enunciado

Princípios da comunicação

Objectivos do locutor

Estuda a deixis, actos de fala [actos locutórios, ilocutórios e perlocutórios]

Análise de conversação [ex: telefone, entrevista]

Diferente de sintaxe [relações entre signos] e semântica [significado dos signos]